quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Palhaço por um dia


Nesta quarta-feira (6) se comemora o Dia do Riso. 

Essa data me fez lembrar de quando era pequeno ainda e fugi de casa para trabalhar no circo.

Passava por Salto um circo mambembe que chamou minha atenção, ao anunciar, pelo carro de som que percorria a cidade, um curso para ensinar quem quisesse ser palhaço e de graça.

Não falei nada para minha mãe.

Sai correndo para o terreno onde o circo fora montado com a intenção de ser um dos novos palhaços da companhia.

Gostava de fazer pilhérias para os outros rirem.

Minha professora dizia sempre:

- Pare de palhaçada menino.

Então tinha de ser palhaço, conclui.

Não sei quais eram as intenções dos donos do circo, mas todos os candidatos a palhaço que apareciam eram colocados para o curso.

Ninguém pedia autorização de pais nem nenhuma referência.

O meu sumiço provocou uma busca incessante dos meus pais. Eles perguntaram para todo mundo se alguém tinha me visto. Ninguém tinha.

O tempo foi passando e o desespero aumentando.

Enquanto isto, eu estava dentro do circo participando de esquetes criados pelo dono do circo e que contavam com outros candidatos.

O curso terminaria com a apresentação na sessão das cinco da tarde.

Quando soube finalmente que havia um circo na cidade, minha mãe foi para lá, pois sabia da minha paixão por esse tipo de espetáculo.

Por isso, minha carreira como palhaço de circo não durou nem uma apresentação. Quando entrei no palco, ela subiu atrás, me pegou pela orelha e assim me levou de volta para casa.

O dono do circo não se mexeu.

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