Quem estaciona confortável em um porto seguro desperdiça o que o futuro pode trazer e eu vivo isto de forma consolidada.
Sempre busquei, em toda a minha vida profissional, o que me motivava a ser melhor nas minhas atividades e nas minhas relações. Muitas vezes quem esteve próximo de mim, não entendeu as minhas escolhas por achar que quem deixa de lado um porto seguro ou é louco ou está a caminho de ser com brevidade.
Discordo desse pensamento.
É preciso ir além sempre.
No campo profissional, depois de começar no semanário “O Trabalhador”, de Salto, recebi convite para ser o editor-chefe do Periscópio, de Itu, jornal que circulava três vezes na semana.
Era o porto seguro.
Cresceria com o jornal. Em “O Trabalhador” introduzi a cor e criei a edição de quarta. Lá, poderia fazer o diário.
Mas abriu-se um desafio maior de ser repórter do Cruzeiro do Sul, em Sorocaba, o maior jornal da região.
Não tive dúvida: aceitei ser repórter em Sorocaba e larguei o porto seguro.
Se não tivesse feito, talvez não tivesse a experiência de uma cidade maior. Quantos dos meus colegas em Salto e Itu não tiveram essa chance. E ela só existiu para mim porque me aventurei a buscá-la.
Depois, troquei o Cruzeiro do Sul, onde tinha o maior salário pago a repórteres na época (final da década de 80) para ser repórter pago com o piso da categoria em São Paulo na Folha.
Se não tivesse feito, talvez nunca chegasse a um grande jornal.
Desafios são como espinhos: cutucam a gente para mostrar o caminho.
A Folha foi fundamental para mim. Não só pelo salário (recebia lá, mesmo com o piso, dez vezes mais que no Cruzeiro), mas pelo que me ensinou profissionalmente. Aprendi a concisão, a rapidez de produção de textos e o controle rígido da apuração. Tudo isto era avaliado diariamente por meio de relatórios espalhados pela redação.
Não foi à toa que permaneci na empresa por sete anos.

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