Ainda ontem era uma meninazinha com pouco mais de meio metro.
Eu trabalhava em dois empregos. O único tempo para vê-la acordada era quando voltava para casa antes de ir ao segundo trabalho.
Tinha uns 15 minutos só.
Eu deitava no sofá e a colocava no peito fazendo carinhos e conversando com ela.
Era um orgulho ver aquela meninazinha que tinha tanto de mim.
Depois, a personalidade desabrochou.
Era uma pirralha cheia de confiança.
Eu imaginava que seria advogada, pela quantidade de argumentos.
Um único dia essa confiança se abalou. Estava com os primos e todos pescavam no lago do nosso condomínio. Ela era a única que não fisgava nenhum peixe.
De repente, desabou a chorar dizendo:
- Não consigo.
Eu a abracei e disse:
- Nunca diga isso. Você consegue se quiser. Você quer?
Ela enxugou as lágrimas e balbuciou:
- Quero.
Voltou a lançar a isca.
Disfarçadamente, dei um jeito de colocar um peixe no anzol em vez da isca e, sem que ela percebesse, coloquei a “isca” na água.
Em seguida, disse que estava puxando, que ela tinha fisgado algo.
Ela puxou o peixe da água e saiu gritando que tinha pescado o maior peixe de todos.
A confiança estava de volta naquele sorriso.
Daí ela explicava aos primos:
- Meu pai disse que a gente tem de querer...

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