Os tempos modernos estão apressados demais. Quem cochila perde a oportunidade. Mas e quem não cochila também perde?
Claro que sim.
Estamos correndo como baratas, que tentam escapar de uma provável chinelada. O negócio é fugir. Seguimos em linha reta o mais longe possível. Mas longe de quê?
E quem não consegue dormir? Quem não tem tempo para descansar? Quem vive estressado à base de medicamentos?
Já parou para pensar que estamos correndo como quem corre de um arrastão? Ninguém sabe quem são os bandidos, mas sabe que tem de correr. Que tem de escapar de alguma maneira.
Desde os primórdios, o homem vive essa tensão de correr ou enfrentar e temos mais corrido que qualquer coisa.
Quando não corremos como baratas, corremos em círculos como ratos envenenados. O veneno provoca uma ruptura no cérebro, que faz com que o animal perca o senso de direção, até a morte.
Nessa corrida desesperada, perdemos o essencial: a observação.
A capacidade de se encantar, de ver o belo, de apreciar o dia.
Está na hora de aprender com as mulheres.
Em vez do confronto, a conversa. Em vez da fuga, a harmonização. Em vez do controle, a participação.
Ficava de irritado desde pequeno por não achar um par de meias que sempre esteve no mesmo lugar e minha mãe encontrava na primeira olhada e ainda ralhava comigo:
- Não olha direito.
Há muito mais em observar que registrar.

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