Era o Rei da Vila.
A construção ficava na região próxima onde hoje funciona a Unimed e que na época era por onde a cidade crescia.
Não passavam de vinte casas.
De qualquer forma, sendo cortiço ou casas geminadas, um traço que era comum naquele lugar e que foi marcante sempre era a fofoca. Nesse local todo mundo sabia da vida de todo mundo.
Lembro que um dos vizinhos era um padeiro. Rapaz jovem ainda, vindo do nordeste, ele queria vencer e formar uma família, mas nunca conseguiu. E todo mundo falava mal da vida dele por isso.
O coitado não podia nem se defender. Trabalhando a noite sempre, estava com sono frequentemente e passava o dia dormindo. Ele não conseguia acompanhar a vida da comunidade que habitava ali.
Essa era, aliás, a razão para o falatório contra ele.
Divaldo ficou famoso na comunidade por perder namoradas.
A cada época ele era trocado por outro.
O problema era um só: não conseguia dar assistência. Estava sempre trabalhando e elas queriam sair. Para não ser machista, ele não reclamava. Quando saiam, encontravam gente com mais tempo.
Quem não dá assistência abre concorrência.
O coitado, às vezes, nem era avisado que fora trocado.
Uma das namoradas deixou que ele comprasse móveis a prestação e que desse até entrada em uma casa para viver com ela.
Só aí ele foi avisado que tinha sido passado para trás.
O padeiro ficou tão desconsolado que nem foi trabalhar. No dia seguinte não tinha pão para ninguém. A padaria o demitiu.
Mais do que a assistência, é preciso estar atento.

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