Lá ou aqui em Salto, onde moro hoje, a 100 km de São Paulo, não há congestionamentos. No máximo, trânsito lento em dia de chuva.
Mas no último dia 2 de novembro, Dia de Finados, enfrentei o meu primeiro congestionamento a bordo de um carro a serviço de aplicativo.
Ia visitar o cemitério para prestar homenagem ao meu pai e meu irmão falecidos e parecia que a cidade inteira tinha tido a mesma ideia.
O congestionamento surgiu não só pelo volume de carros, mas também porque a maioria queria parar no pequeno estacionamento do cemitério, que comporta 20 veículos se tanto.
O carro em que estava ficou cercado. Não podíamos ir nem para frente nem para traz. Sem o que fazer, o jeito foi conversar. O motorista passou a contar então um episódio envolvendo cemitério.
Disse que certa vez um passageiro tomou o serviço e pediu para deixá-lo no cemitério. Visitaria o pai, morto havia dois meses.
O homem relatou ao motorista todo o ódio que tinha do médico que atendeu o pai. Para ele, o profissional deixará o paciente morrer.
- Ele chorou enquanto falava. Pediu para buscá-lo em uma hora, disse o motorista, relembrando o episódio com olhos distantes.
O condutor voltou no prazo combinado, mas o passageiro não estava. Ele já ia deixar o local quando viu o homem sobre um túmulo.
Com cuidado, desceu do carro e foi buscá-lo. O passageiro não o reconhecia mais. Ele não quis sair do local.
O homem relatou ao motorista todo o ódio que tinha do médico que atendeu o pai. Para ele, o profissional deixará o paciente morrer.
- Ele chorou enquanto falava. Pediu para buscá-lo em uma hora, disse o motorista, relembrando o episódio com olhos distantes.
O condutor voltou no prazo combinado, mas o passageiro não estava. Ele já ia deixar o local quando viu o homem sobre um túmulo.
Com cuidado, desceu do carro e foi buscá-lo. O passageiro não o reconhecia mais. Ele não quis sair do local.
E disse:
- Eu moro aqui.
- Me deu arrepios quando ouvi isso. Não gosto de cemitério, gente morta. A frase parecia revelar algum tipo de fantasma, afirmou.
- Mas não passava de uma depressão profunda, disse olhando fixamente para mim, como se tentasse ver o passageiro novamente.
- Ninguém mora no cemitério estando vivo, disse eu.
- Sim, ninguém. Peguei o passageiro pelo braço e o trouxe para o carro, afirmou o motorista. Ele se sentou e fechou os olhos.
Mais tarde...
- Quando o entreguei em casa, parecia que estava em outro mundo.
- Eu moro aqui.
- Me deu arrepios quando ouvi isso. Não gosto de cemitério, gente morta. A frase parecia revelar algum tipo de fantasma, afirmou.
- Mas não passava de uma depressão profunda, disse olhando fixamente para mim, como se tentasse ver o passageiro novamente.
- Ninguém mora no cemitério estando vivo, disse eu.
- Sim, ninguém. Peguei o passageiro pelo braço e o trouxe para o carro, afirmou o motorista. Ele se sentou e fechou os olhos.
Mais tarde...
- Quando o entreguei em casa, parecia que estava em outro mundo.

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