segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Parei para aplaudir

Presenciei uma cena inusitada esta semana na Praça Bom Jesus, região central de Itu, que me fez acreditar ainda mais no cidadão.

Um carro popular, em que viajavam três mulheres, além do motorista, teve o seu caminho interrompido por uma Mercedes, que vinha na contramão e era dirigida por uma mulher.

A motorista vinha sendo avisada que estava na contramão desde o início do pedaço de rua em torno da praça, há uns 50 metros do ponto de encontro com o carro popular, mas deu de ombros.

Ela queria passar, fosse do jeito que fosse.

A impressão que tive é de que ela sabia da gravidade do fato de estar andando na contramão, mas deve ter pensado que se livraria do flagrante se saísse rapidamente do pedaço de rua.

Por isso toda a pressa que demonstrava.

Quando se defrontou com o carro popular barrando parte do caminho, a motorista simplesmente enlouqueceu.

Ela gritava para o motorista, um homem já velho e com aparência de frágil, que saísse da sua frente e dizia eu sei, quando era lembrada que estava na contramão, mas isto não a fazia parar.

Todos os transeuntes gritavam para ela que estava na contramão.

A motorista gritava que sabia, mas insistia, aos gritos também, para que o motorista do carro popular saísse da frente.

Ao mesmo tempo em que gritava, a mulher foi enfiando a Mercedes entre o carro popular e outro que estava estacionado.

Era visível que haveria o choque, então o motorista do carro popular buzinou desesperado para que parasse.

Como não era ouvido, as três mulheres que o acompanhavam desceram do carro e foram para cima da outra.

- Aqui a senhora não passa. Se quiser, vai ter de nos atropelar. Mas, se tentar, vamos encher o seu carro de pedras.

Ao ver as pedras nas mãos delas, a motorista da Mercedes retornou.

Todos aplaudiram o gesto na praça após eu puxar as palmas.

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