sábado, 12 de outubro de 2019

O garoto popular da escola

Quando fui para o primeiro ano do antigo ginasial, mudei para a escola do Sesi, em Salto, beneficiado pelo fato de meu pai trabalhar na indústria.

Lá, conheci o Claudinho, dois anos mais velho, que era o mais popular da escola.

Ele estava na minha classe e me escolheu para ser o seu transportador. Eu tinha uma bicicleta, na qual ele me fazia levá-lo da escola até a casa dele.

Eu não concordava, mas fui vencido pelo fato de ele ser maior e mais forte.

Aquilo me irritava profundamente.

Ir à escola, que sempre gostei, se tornou um fardo.

Cansado disso, pedi ajuda ao meu pai.
Ele me disse que eu tinha de enfrentar o sujeito e não permitir mais aquela situação.
Eu disse:

- Mas ele vai me bater. Já fez isso antes.

Meu pai foi firme:

- E você quer apanhar a vida inteira?

Não, eu não queria.

No dia seguinte, eu disse ao Claudinho com coragem que não o levaria mais no cano da bicicleta e ainda arrisquei que ele era pesado demais.

O garoto começou a me bater. Eu o enfrentei. Apanhei, mas resisti. Ele foi me batendo até a casa dele. Só que a pé. Eu reagia a cada chute.

A gente rolava no chão brigando e retomava o percurso.

No dia seguinte e para sempre, fiquei livre do drama.

Às vezes achamos que o problema é insolúvel.

Não existem problemas insolúveis.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado por enviar mensagem. Logo responderei.