sexta-feira, 18 de outubro de 2019

A mulher do café

Na minha formação como jornalista, aprendi muito com um professor da PUC Campinas e depois meu colega na Folha de São Paulo, o Luís Roberto Saviani Rey, um profissional diferenciado.

Ele era um contador de histórias.

Tinha vários exemplos do que ensinava na prática para mostrar a todos nós que ainda engatinhávamos na profissão.

Um desses aprendizados foi sobre como não desvalorizar as pessoas, não só do ponto de vista profissional como também no pessoal.

Muita gente acha ainda hoje, erroneamente diga-se, que jornalista está acima dos outros e acaba desvalorizando outras profissões.

Tinha até uma piada que circulava pelas redações na minha época de Folha de São Paulo e que ilustra bem essa arrogância: segundo ela, médicos pensam que são deuses e os jornalistas têm certeza.

Quando falava sobre a importância de se respeitar as pessoas e principalmente as outras profissões, Saviani contou que conseguiu um furo de reportagem¹ para a Folha por valorizar e tratar bem uma ex-funcionária do café da Prefeitura de Campinas.

Na época, ele era repórter e a ex-funcionária lhe deu uma informação importante sobre a presença de uma determinada pessoa no gabinete do prefeito, que foi decisiva para o furo.

Se não fosse a pessoa que é, ele jamais conseguiria a informação, mas, acima disso, ele sempre conseguiu a amizade dessas pessoas.

Tratar bem aos outros nos dá no mínimo respeito e consideração.

Uma lição importante que levei para a vida.


*Furo é um jargão jornalístico que indica uma notícia exclusiva.

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