Desde muito pequeno me acostumei
a ver minha mãe sair cedo para trabalhar. Achava isso estranho. Afinal,
esperava que ela ficasse comigo e com os meus irmãos. Mas falava mais alto
naquela época a necessidade.
Meu pai foi radialista e poeta, fez
dupla sertaneja com um dos meus tios e fundou a rádio da cidade onde nasci. Só
que de arte não se vivia não. Aliás, até hoje é difícil. E Pederneiras, minha
terra, não tinha indústrias.
Então meu pai deixou tudo o que
fazia e foi para Campinas tentar a vida como metalúrgico. Minha mãe era costureira
e ajudava. Fomos morar em Indaiatuba. Depois em Salto, tendo vivido em outras
circunstancialmente.
Dessa vida difícil, herdei duas
coisas fundamentais para qualquer negócio: persistência e esperança. De meu pai,
carrego o jeito de ver luz mesmo onde o escuro domina. De minha mãe fiquei com a
fé e a resiliência de vida.
Neste Dia das Mães, meu pai já
não está mais entre nós e minha mãe ainda trabalha aos 84 anos. Os exemplos ficaram
e estão na nossa vida, minha e de meus irmãos. Às vezes não temos o que
queremos, mas não vale chorar.

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