domingo, 10 de maio de 2020

De pai e mãe


Desde muito pequeno me acostumei a ver minha mãe sair cedo para trabalhar. Achava isso estranho. Afinal, esperava que ela ficasse comigo e com os meus irmãos. Mas falava mais alto naquela época a necessidade.

Meu pai foi radialista e poeta, fez dupla sertaneja com um dos meus tios e fundou a rádio da cidade onde nasci. Só que de arte não se vivia não. Aliás, até hoje é difícil. E Pederneiras, minha terra, não tinha indústrias.

Então meu pai deixou tudo o que fazia e foi para Campinas tentar a vida como metalúrgico. Minha mãe era costureira e ajudava. Fomos morar em Indaiatuba. Depois em Salto, tendo vivido em outras circunstancialmente.

Dessa vida difícil, herdei duas coisas fundamentais para qualquer negócio: persistência e esperança. De meu pai, carrego o jeito de ver luz mesmo onde o escuro domina. De minha mãe fiquei com a fé e a resiliência de vida.

Neste Dia das Mães, meu pai já não está mais entre nós e minha mãe ainda trabalha aos 84 anos. Os exemplos ficaram e estão na nossa vida, minha e de meus irmãos. Às vezes não temos o que queremos, mas não vale chorar.

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