sábado, 2 de novembro de 2019

A história de Charqueada

Na minha vida de repórter, conheci e contei histórias que me marcaram muito. 
Lembro hoje, em razão do Dia de Finados, de uma em especial de Charqueada, na região de Piracicaba.

Na época, início dos anos 90, eu trabalhava na Folha de São Paulo e os nossos textos serviam também ao Notícias Populares, que, lembro a quem não conheceu, foi  um marco do jornalismo policial durante anos.

Embora escrever na Folha, o maior jornal do pais naquele tempo, ja fosse uma realização e tanto, eu e colegas competiamos para sair no NP, principalmente para dar a manchete de capa, a notícia principal.

Fazendo a ronda para levantar registros policiais, descobri o caso do marido que chegou bêbado em casa, debaixo de chuva, e que tentou fazer sexo à força com a mulher.

Ela se esquivou, mas ele era mais forte. Na ânsia de se safar, a mulher pegou um pedaço de madeira e desceu-lhe uma cacetada na cabeça. O homem caiu na hora. Ela tentou reanima-lo sem sucesso. 

Como ele sempre desmaiava pela bebida, a mulher arrastou-o para dentro, trocou-lhe a roupa e colocou-o na cama para dormir. Deitou-se ao lado e adormeceu.

No dia seguinte, às 5h, chamou o marido para o trabalho como sempre, mas ele não acordou. Ao constatar que o matara, ela tentou também se matar e foi contida.

Com essa história consegui minha primeira manchete no Notícias Populares: "Mulher mata o marido a paulada em Charqueada e dorme com o morto".

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