terça-feira, 8 de outubro de 2019

Voltar ao começo

No Brasil, não estamos acostumados a fenômenos naturais, como furacões. Assim, pouco pensamos nisso no dia a dia. Mas existem histórias extremamente humanas e motivadoras em torno deles.

Há pouco ouvi uma de uma pessoa muito inspiradora.

Em 2004, essa mulher recomeçava a vida após uma separação. Com um filho pequeno, de apenas dois anos, foi surpreendida pelo furacão Ivan, que devastou o Caribe e a costa sul dos Estados Unidos no dia 2 de setembro daquele ano.

No momento mais agudo da tragédia, a Guarda Costeira evacuava a região devastada e havia só um lugar no avião que iria para Washington DC.

Ela não pestanejou.

Enviou o filho para o ex-marido e se condenou à morte.

Passaram-se dois meses sem notícias.

Praticamente toda a sua família perdeu as esperanças.
O único que ainda acreditava nela era o pai dela.

- Eu confio nela. Ela vai se salvar, disse ele vendo o noticiário.

Ele tinha razão.

Tudo que ela havia construído após a separação desapareceu, mas ela não. Como se fosse um milagre, foi resgatada com vida e recomeçou do recomeço.

No início de setembro último, mais madura, ela participou da celebração dos sobreviventes do Ivan, na qual estiveram o filho, o ex-marido e toda a sua família.

- Todos festejaram o gesto de salvar meu filho e me dar ao sacrifício, disse ela, completando a seguir: - Mas eu não podia fazer diferente.

Não podia mesmo.

- Na celebração, me senti muito amada, afirmou emocionada.

Mais importante do que o que nós somos é o que fazemos aos outros em momentos cruciais.

Vendo-a vencedora hoje como uma das profissionais mais respeitadas de Cayman, onde vive, concluo que são histórias como essa que fazem a gente ter certeza de que nunca devemos deixar de lutar.


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