domingo, 20 de outubro de 2019

As assombrações do meu pai

Quando visitava meu pai após ter filhos, meus filhos ficavam incomodados com o fato de ele falar mais comigo do que com eles.

Apaixonado por política como eu, meu pai falava mais comigo, porque eu falava do que ele gostava de falar.

Eles diziam:

- Não parece que vamos à casa do nosso avô, mas sim do seu pai.

Disse aos meus filhos que ficamos mais seletivos com a idade e que cabia a eles conquistarem a atenção do meu pai.

Eles me perguntaram, confusos, como poderiam fazer isso.

Então contei a eles que me pai se divertia quando criança, como eles, em assustar quem passava perto do cemitério de Pederneiras, a pequena cidade no centro geográfico do Estado de São Paulo, onde nasci.

Ele morava perto do campo santo de lá e assustava quem passava por perto à noite. Afinal, muita gente tem medo de cemitério ou mais propriamente dos mortos, sobretudo a noite.

Na visita seguinte, eles chegaram à casa do meu pai perguntando sobre as assombrações que ele praticava.

Meu pai virou criança de novo.

Foi uma das melhores tardes que eles tiveram com ele e, a partir dali, puderam chamar meu pai de avô de fato e de direito.

Nas nossas relações pessoais, no nosso trabalho e na nossa vida, seja qual tipo de relação, trabalho ou vida que tenhamos, temos de sempre descobrir o que encanta o outro.

É isto que faz as boas relações e o sucesso delas.



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