Apaixonado por política como eu, meu pai falava mais comigo, porque eu falava do que ele gostava de falar.
Eles diziam:
- Não parece que vamos à casa do nosso avô, mas sim do seu pai.
Disse aos meus filhos que ficamos mais seletivos com a idade e que cabia a eles conquistarem a atenção do meu pai.
Eles me perguntaram, confusos, como poderiam fazer isso.
Então contei a eles que me pai se divertia quando criança, como eles, em assustar quem passava perto do cemitério de Pederneiras, a pequena cidade no centro geográfico do Estado de São Paulo, onde nasci.
Ele morava perto do campo santo de lá e assustava quem passava por perto à noite. Afinal, muita gente tem medo de cemitério ou mais propriamente dos mortos, sobretudo a noite.
Na visita seguinte, eles chegaram à casa do meu pai perguntando sobre as assombrações que ele praticava.
Meu pai virou criança de novo.
Foi uma das melhores tardes que eles tiveram com ele e, a partir dali, puderam chamar meu pai de avô de fato e de direito.
Nas nossas relações pessoais, no nosso trabalho e na nossa vida, seja qual tipo de relação, trabalho ou vida que tenhamos, temos de sempre descobrir o que encanta o outro.
É isto que faz as boas relações e o sucesso delas.

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